Despeito
Chega
de lamber livros sujos e insossos
nas bibliotecas municipais. Não bebo mais leite empoeirado
de tetas velhas.
Quis meu lugar
mas livrarias e medalha, medalha,medalha como Mutley.
Agora vou jogar para o primeiro cão que aparecer
o osso de Homero
que comprei de um camelo de relíquias. Eu e as pombas estamos
cagando para as estátuas das praças. Quero cuspir na cara de um
auto-retrato de Rembrandt.
E fazer salada
de ciprestes impressionistas roubados. Sair
com um bando selvagem,
e matar a flechadas o touro de bronze da Wall Street.
Repartir em postas, assar
e comer com vinho barato
em um beco sujo.
Não aguento mais ver nos museus a cara centenária, mumificada do novo em sua tumba. Hora de procurar por outra coisa menos rançosa.
Vou colocar
um dedo de uma estátua grega
dentro de lata de salsichas. E com o dinheiro da indenização
tomar cerveja, transar e assistir pica-pau
nas tarde quentes. E quando estiver entediado
dobrar origamis e aviõezinhos com folhas retiradas da divina comédia
e jogar pela janela do apartamento.
Impedirei que alimentem as obras de Botero
até elas virarem El Grego.
Não cederei meu lugar neste metro lotado. Nem que entre
uma Virgem Maria renascentista como o menino.
Paguei pelo ticket.
E num dia de bebedeira, por fogo inquisitorial em uma livraria de shopping e gritar para os comparsas.
Exagerem na gasolina que os livros são aguados. Ah, sentar bebendo vodka e
sentir o cheiro bom de livros de bruxas e magos queimando, queimando,
deliciosamente queimando.
De Solivan
Pergaminhos
de uma ovelha negra
sexta-feira, 1 de junho de 2012
terça-feira, 22 de maio de 2012
O monomotor
O monomotor
Juntei-me
aos meninos
que corriam
atrás de um avião.
Atiravam nele com o indicador,
davam adeus,
apontavam
e torciam
para ele cair.
Um Atlas levava uma bola
de plástico.
Os de chinelos de dedo
iam à frente,
os de pé no chão
saltitavam logo atrás
nos pedregulhos.
Um último menininho
chorava e pedia para esperar.
Lembro que tinha uma pérola de ranho
no nariz.
E vimos o avião sumir.
Quase todos faziam
da mão uma aba,
quase todos pareciam
em posição de sentido
calados.
Todos admiravam aquele brilho distante
parecido ao encontrado num caco de vidro.
O menininho ainda chorava.
Voltamos
as bocas imitavam barulho de motores
e os braços asas.
Eu erguia meu braço o mais alto possível,
segurava uma cruz improvisada.
Estilização rude, só o esqueleto
porque o corpo que dava perfeição
ao aviãozinho de gravetos era de imaginação.
De Solivan
quarta-feira, 16 de maio de 2012
No shopping center
Abre-te Sésamo automático,
esta porta de translúcido vidro
para min, o Moisés de tuas águas sólidas.
Será que suas engrenagens,
suas roldanas esmaga-formigas, seus sensores
funcionam com passarinhos?
Ou a andorinha bate no vidro como
em qualquer outra vidraça
e morre na delícia de morrer em um voo
despreocupado.
Gosto de caminhar no shopping
este museu de roupas e calçados contemporâneos.
Meus olhos acham os decorativos deuses indianos.
Meus olhos flecham o calcanhar dos narguilés.
Meus olhos acariciam as meninas.
Meus olhos veem a noite pelas janelas
e navego
cruzando Andrômeda
cruzeiro transespacial.
Balanço do do marmmmMnsera quenoi esopsçao tem balndlço de marnm MnM barcobebbadoGIusgliuglurub lka voub jdhueueueucrzaudndo anfdromedasolto^ v ^ v ajdgi***#3m@r?/??< >
A labirintite passou
e ando agora com alma de Bosch,
por este estômago cheios de lojas
pronto para sugar todas, todas as vitaminas de meu cartão de crédito.
Experimento perfumes,
safiras líquidas, rubis aquoso, outro cor de urina.
Sou sexagésima sexta reencarnação de um alquimista
e sinto vontades
de misturar
o odor da manhã com fezes de beija-flor,
juntar os cheiros de uma vulvas em cio
e uma noite com óvnis.
Por tudo em frascos Mirós.
Ascendo em escadas rolantes
braços imitando um urubu.
Paro para ver
nas vitrines da loja de brinquedos
o super-homem,
o que pode
cavalgar em cometas
e se alimentar de vácuo,
o que pode tomar um sorvete feito de massa solar.
E Batmam, o frutívoro espalha pólen.
Barbies em esquifes rosas
e vídeos- games onde
as crianças podem
decapitar virtualmente
estripar virtualmente
lobos, anões e madrastas.
Nos cinemas
olho os cartazes
como quadros em exposição.
Multidão de livros na livraria.
E toda a multidão está cheia de cretinos e magos.
E toda a multidão tem economistas e astrólogos.
E em toda a multidão tem um poeta.
Meus livros não estão na livraria,
nem do Thadeu de estrelas no bigode,
nem do Thadeu dez-dedos
na mão esquerda quando toca violão.
Nem do Jairo,
o centauro que atravessa os oceanos a galope.
nem do Jairo
que abençoou as águas do rio Iguaçu
com poemas
e comeu pão com nanquim nas manhãs.
Seuss filhos da p*#+_0*&&}$$CORNOS
DO*@33##PKU$ilibinoshdnsG0Q3PIFU98WBICHA CAPINEWGIUB087 ESTA BURRIOIqeru,fne in tME IRRITAeeiirriHJGIDGIUtavao tomar IJVYU4746387¨*$%%&*($MNO CUlokhnfsçoiuoip90843l98w@%$t376
Compro hq do Homem-Aranha
e um livro do Schopenhauer.
Filósofos estão em promoção,
mais baratos que o gibi.
Pague um, leve dois.
Karl Marx em promoção,
o CAPITAL está em promoção.
Passo pela praça de má alimentação.
Barulho de atol das rocas.
Nos luminosos e placas em cores primárias
uma salsicha de fraque e cartola.
Um palhaços oferecendo hambúrgueres
e monge comida chinesa.
Sobre um cone o Everest granulado com confeitos
vende sorvetes.
Sou teletransportado por elevadores
de botões azuis fluorescentes.
3,2,1
Ejeção completada com sucesso.
De Solivan
quarta-feira, 2 de maio de 2012
Crucificação de Vilela
Ano 33, dia 2
Crucificaram Vilela.
Crucificaram o poeta cínico
pobre e esnobe
de sorriso lascivo e abusado.
Crucificaram o poeta
pregaram-no em uma cruz
feita de garfo e faca.
Crucificaram o poeta
cheio de escárnio
e devassidão.
O poeta crucificado
pede frugalmente água
dão-lhe fel
suga o fel oferecido.
O derradeiro não
corta seu estômago
sangra uma mistura de
feijão, arroz e comprimidos para dormir.
Vilela inocentemente
nos dá ainda
a beleza de seu último milagre
faz sua coroa de espinhos
de roseiras florescer rosas vermelhas
e fala suas últimas e introspectivas
palavras
- Perdoa-me PAI,
mas eles sabem o que fazem.
Ano 33, dia 5
Vilela é editado no terceiro dia.
De Solivan
Crucificaram Vilela.
Crucificaram o poeta cínico
pobre e esnobe
de sorriso lascivo e abusado.
Crucificaram o poeta
pregaram-no em uma cruz
feita de garfo e faca.
Crucificaram o poeta
cheio de escárnio
e devassidão.
O poeta crucificado
pede frugalmente água
dão-lhe fel
suga o fel oferecido.
O derradeiro não
corta seu estômago
sangra uma mistura de
feijão, arroz e comprimidos para dormir.
Vilela inocentemente
nos dá ainda
a beleza de seu último milagre
faz sua coroa de espinhos
de roseiras florescer rosas vermelhas
e fala suas últimas e introspectivas
palavras
- Perdoa-me PAI,
mas eles sabem o que fazem.
Ano 33, dia 5
Vilela é editado no terceiro dia.
De Solivan
terça-feira, 17 de abril de 2012
Libélula azul
Canto com um azul
da melopéia concreta
a libélula azul,
brilho azul,
reverberações azuis metálicas
de peixe azul prateado
azul, azul, azul
no seu exoesqueleto
as cintilações
têm um tilintar azul.
Luz azul
Luz azul
Passa num assobio azul
libélula azul,
cavalo de fada,
broche de safira no vento.
Libélula azul
que enfeita a boca do camaleão
na minha,
quando mastigo tuas sílabas
com um gosto
azul-amargo metálico de âmago,
deixa um persistente
hálito de libélula azul.
Logopéia azul
penso, logo não existo
que existir é coisa concreta
você apenas sente
libélula
e existe um pouco mais.
O osso não pensa, não sente
ele existe, mais que nós
dois juntos.
libélula,
quando eu for ossos
passo a existir libélula,
quando minhas substâncias
mesclarem-se ao planeta
e moverem-se somente pelos dedos
das leis da física,
libélula
esses dedos musicais
são única parte que conhecemos
do corpo de Deus,
libélula.
Fanopéia,
e se meu indicador
fosse azul, seria sua fêmea,
libélula azul
e se as minhas cordas vocais fossem de cristal
e cantassem como pássaro,
uma única nota vibrante longa e aguda,
e a respiração tivesse
sonoridade de água corrente
pousaria no meu peito
sobre
o meu coração de pedra
coberto de musgos
pousaria nele, libélula?
Quero
porque toda a pedra em que pousa
vira adjetivo, libélula azul.
De Solivan
da melopéia concreta
a libélula azul,
brilho azul,
reverberações azuis metálicas
de peixe azul prateado
azul, azul, azul
no seu exoesqueleto
as cintilações
têm um tilintar azul.
Luz azul
Luz azul
Passa num assobio azul
libélula azul,
cavalo de fada,
broche de safira no vento.
Libélula azul
que enfeita a boca do camaleão
na minha,
quando mastigo tuas sílabas
com um gosto
azul-amargo metálico de âmago,
deixa um persistente
hálito de libélula azul.
Logopéia azul
penso, logo não existo
que existir é coisa concreta
você apenas sente
libélula
e existe um pouco mais.
O osso não pensa, não sente
ele existe, mais que nós
dois juntos.
libélula,
quando eu for ossos
passo a existir libélula,
quando minhas substâncias
mesclarem-se ao planeta
e moverem-se somente pelos dedos
das leis da física,
libélula
esses dedos musicais
são única parte que conhecemos
do corpo de Deus,
libélula.
Fanopéia,
e se meu indicador
fosse azul, seria sua fêmea,
libélula azul
e se as minhas cordas vocais fossem de cristal
e cantassem como pássaro,
uma única nota vibrante longa e aguda,
e a respiração tivesse
sonoridade de água corrente
pousaria no meu peito
sobre
o meu coração de pedra
coberto de musgos
pousaria nele, libélula?
Quero
porque toda a pedra em que pousa
vira adjetivo, libélula azul.
De Solivan
terça-feira, 10 de abril de 2012
Autopiedade
Vinte três facas de prata em meu coração.
Vinte três cantos de minha dor.
E eram as três de la tarde.
E eram as três da la tarde.
Vinte três raios em meu coração.
Vinte três vesses implorei pela morte
de joelhos dobrados.
E eram as três da la tarde.
Vinte três crisóis de magna em meu coração.
Vinte três cascavéis que me odiavam aninhadas em meu peito.
E Fui carregado pelos meus pés e mãos de bronze
como as alças de um caixão.
E manchei com gritos os ouvidos de meu irmão
e eram três de la tarde.
Vinte três leões rubros mastigavam meu coração.
Vinte três piranhas nadavam dentro de mim.
Madre minha, madrezita,
vi teus olhos desolados como o céu azul
sobre os ciprestes.
Filho meu,
vi teus olhos assustados e quis afagar teus cabelos,
mas meus braços estavam mortos
e eram as três de la tarde.
Vinte três mil tocandiras em trançados de caranã envolverão meu coração.
Vinte três enxames de vespas ferroaram minha carne.
E bebi um cálice de morfina com água de miragem
e eram três de la tarde.
Porém uma garça branca pousou sobre meu peito
e disse fica.
E as sirenes ganiram,
e mãos cuidaram de mim
como pomba delicada cuida de seu ninho.
Mas na gruta de mármore negro havia números nos olhos do jaguar
e meus sinais vitais gotejavam irritantes por toda a noite
e no meu braço agulhas frias
moldadas com caninos de vampiros
e na minha boca um gosto de alecrim e metal.
Os mortos sentem em sua boca um gosto de alecrim e metal.
Então levantei no terceiro dia
e vi o sol puro e uma banca de jornal,
vi as moças bonitas
e sorri,
mesmo com passos de quem passeia
em um campo minado jardinado com açucenas,
e eram as três de la tarde.
De Solivan
Vinte três cantos de minha dor.
E eram as três de la tarde.
E eram as três da la tarde.
Vinte três raios em meu coração.
Vinte três vesses implorei pela morte
de joelhos dobrados.
E eram as três da la tarde.
Vinte três crisóis de magna em meu coração.
Vinte três cascavéis que me odiavam aninhadas em meu peito.
E Fui carregado pelos meus pés e mãos de bronze
como as alças de um caixão.
E manchei com gritos os ouvidos de meu irmão
e eram três de la tarde.
Vinte três leões rubros mastigavam meu coração.
Vinte três piranhas nadavam dentro de mim.
Madre minha, madrezita,
vi teus olhos desolados como o céu azul
sobre os ciprestes.
Filho meu,
vi teus olhos assustados e quis afagar teus cabelos,
mas meus braços estavam mortos
e eram as três de la tarde.
Vinte três mil tocandiras em trançados de caranã envolverão meu coração.
Vinte três enxames de vespas ferroaram minha carne.
E bebi um cálice de morfina com água de miragem
e eram três de la tarde.
Porém uma garça branca pousou sobre meu peito
e disse fica.
E as sirenes ganiram,
e mãos cuidaram de mim
como pomba delicada cuida de seu ninho.
Mas na gruta de mármore negro havia números nos olhos do jaguar
e meus sinais vitais gotejavam irritantes por toda a noite
e no meu braço agulhas frias
moldadas com caninos de vampiros
e na minha boca um gosto de alecrim e metal.
Os mortos sentem em sua boca um gosto de alecrim e metal.
Então levantei no terceiro dia
e vi o sol puro e uma banca de jornal,
vi as moças bonitas
e sorri,
mesmo com passos de quem passeia
em um campo minado jardinado com açucenas,
e eram as três de la tarde.
De Solivan
terça-feira, 3 de abril de 2012
A reecarnação de Lorca-Poema 2
Ultima milonga para Paloma
Me vou,
Muda seu sobrenome
Paloma,
Que me vou,
Seva teu mate com outro.
Vou Paloma, que só os egoístas perdoam
Só os egoístas
Querem o manacá que não é mais dele.
Vou com três adagas no peito,
mas vou,
Buemo,melhor assim,
Pelas chagas te tiro,
Como fiz com uma bala chimanga
Que a revolução deixou em minha carne.
Conheço das feridas Paloma, já tive muitas,
As feridas gritam pela parte do corpo não existe mais,
Gritam pela parte que foi retirada pela faca.
E em ferida de amor,
Um gole de canha arde, mas ajuda a melhorar.
Tentei mudar o que eram rosas,
Mas as rosas não mudam nunca, Palomita.
Mas eu posso mudar
E ordenar minha boca
A sentir amargo tudo que antes era mel.
Me calo, vou cuspir minha língua,
Que o corpo apenas engole, mas a alma rumina
E só uma boca calada escuta a alma.
Alem do mas, tudo que tenho a dizer é o rude relho de um fim,
suavidades são cosas de um começo.
Não me olhes assim
Com estes olhos cor de folha de macieira
Que me vou galopar e o meio do mundo fica distante.
Vou só ate o meio Paloma,
Porque num passito alem do meio, já é retorno
E já chega de retornos
E já chega de palavras,
Que isto não é uma payada
Mas uma despedida.
Me vou,adeus Paloma.
Missões 1968
De Solivan
Me vou,
Muda seu sobrenome
Paloma,
Que me vou,
Seva teu mate com outro.
Vou Paloma, que só os egoístas perdoam
Só os egoístas
Querem o manacá que não é mais dele.
Vou com três adagas no peito,
mas vou,
Buemo,melhor assim,
Pelas chagas te tiro,
Como fiz com uma bala chimanga
Que a revolução deixou em minha carne.
Conheço das feridas Paloma, já tive muitas,
As feridas gritam pela parte do corpo não existe mais,
Gritam pela parte que foi retirada pela faca.
E em ferida de amor,
Um gole de canha arde, mas ajuda a melhorar.
Tentei mudar o que eram rosas,
Mas as rosas não mudam nunca, Palomita.
Mas eu posso mudar
E ordenar minha boca
A sentir amargo tudo que antes era mel.
Me calo, vou cuspir minha língua,
Que o corpo apenas engole, mas a alma rumina
E só uma boca calada escuta a alma.
Alem do mas, tudo que tenho a dizer é o rude relho de um fim,
suavidades são cosas de um começo.
Não me olhes assim
Com estes olhos cor de folha de macieira
Que me vou galopar e o meio do mundo fica distante.
Vou só ate o meio Paloma,
Porque num passito alem do meio, já é retorno
E já chega de retornos
E já chega de palavras,
Que isto não é uma payada
Mas uma despedida.
Me vou,adeus Paloma.
Missões 1968
De Solivan
terça-feira, 27 de março de 2012
Sobre a interessante reação das senhoras a um poema
O Poema que virou animação"As senhoras e a puta".

Batista entrou sem ser convidado
no sarau com chás, torradas e alguns maridos.
Terno amassado com cheiro de brechó,
camisa bege encardida.
Recusou o chá, procurou vinho
e como está acostumado a achar espaços
em ônibus lotados,
foi fácil subir ao palco.
Com a voz beirando o grito
iniciou o poema:
-A puta!
Soou como sirene com cárie.
Olhos voltaram-se, como girassóis raivosos
para a palavra, tão vermelha
que manchou de rubro a face das senhoras.
E o constrangimento se manteve
até o arremate de Batista:
-A puta, de Carlos Drummond de Andrade!
Alívio entre as senhoras, sorrisos, e mesmo aplausos.
É Batista, confirma-se a tese
que o maldito está no poeta
e não na poesia.
Tuas doces poesias são consideradas malditas
só porque não lava as mãos antes de fazê-las.
De Solivan

Batista entrou sem ser convidado
no sarau com chás, torradas e alguns maridos.
Terno amassado com cheiro de brechó,
camisa bege encardida.
Recusou o chá, procurou vinho
e como está acostumado a achar espaços
em ônibus lotados,
foi fácil subir ao palco.
Com a voz beirando o grito
iniciou o poema:
-A puta!
Soou como sirene com cárie.
Olhos voltaram-se, como girassóis raivosos
para a palavra, tão vermelha
que manchou de rubro a face das senhoras.
E o constrangimento se manteve
até o arremate de Batista:
-A puta, de Carlos Drummond de Andrade!
Alívio entre as senhoras, sorrisos, e mesmo aplausos.
É Batista, confirma-se a tese
que o maldito está no poeta
e não na poesia.
Tuas doces poesias são consideradas malditas
só porque não lava as mãos antes de fazê-las.
De Solivan
quarta-feira, 14 de março de 2012
Dicas culinárias
Prefira bisteca de anjos ou suas costeletas
às asas, ou retire a pele antes de preparar seu prato.
Se fizer estas partes juntas,
açafrão disfarça as diferenças da carne branca da asa
das vermelhas no resto do corpo.
Cabeça de anjo pode ser assada na tradicional ceia da virada do ano,
coma um pedaço do nariz, trará sorte.
Coloque algumas lagrimas de moça lendo romance
sobre o hambúrguer de fadas. Criadas em confinamento
sua carne é cheia de angústias,as gotas torna o hambúrguer mais tenro.
Experimente servir fadas desidratadas como petiscos,
prefira as defumadas ou com sabor de bacon.
Postas de sereias são mais saudáveis que ondinhas enlatadas.
Escolha sirenes com as guelras vermelhinhas,
os olhos devem estar brilhantes e os cabelos sedosos.
Se frescas dão bons grelhados e Sashimis,
e suas ovas são saborosas,
uma delicatesses de gosto refinado e ambíguo,
mas descarte a boca no geral infeccionada pelos anzóis.
Aproveite as entranhas,
rins e bife de fígado de unicórnio são nutritivos e baratos,
seu mocotó também pode ser usado em sopas.
Escolha estômago de serafim para sua dobradinha ou sarapatel,
mosto de seu sangue é um segredos das fabricas de maçarão instantâneo.
Partes genitais como testículos de gnomos e clitóris de princesas em pasta,
vão bem com croûton num couvert.
Esta disponível nos melhores mercados os novos vegetais
que estão sendo chamadas de frutas cartuns.
A variedade tem coração, amamenta, sangra, tem sentimentos, sente dor
é assim podemos abatê-las incentivando o consumo.
Praticas já vem em porções higienizadas e prontas
e são encontradas em vários sabores como picanha e T-bone.
De Solivan
às asas, ou retire a pele antes de preparar seu prato.
Se fizer estas partes juntas,
açafrão disfarça as diferenças da carne branca da asa
das vermelhas no resto do corpo.
Cabeça de anjo pode ser assada na tradicional ceia da virada do ano,
coma um pedaço do nariz, trará sorte.
Coloque algumas lagrimas de moça lendo romance
sobre o hambúrguer de fadas. Criadas em confinamento
sua carne é cheia de angústias,as gotas torna o hambúrguer mais tenro.
Experimente servir fadas desidratadas como petiscos,
prefira as defumadas ou com sabor de bacon.
Postas de sereias são mais saudáveis que ondinhas enlatadas.
Escolha sirenes com as guelras vermelhinhas,
os olhos devem estar brilhantes e os cabelos sedosos.
Se frescas dão bons grelhados e Sashimis,
e suas ovas são saborosas,
uma delicatesses de gosto refinado e ambíguo,
mas descarte a boca no geral infeccionada pelos anzóis.
Aproveite as entranhas,
rins e bife de fígado de unicórnio são nutritivos e baratos,
seu mocotó também pode ser usado em sopas.
Escolha estômago de serafim para sua dobradinha ou sarapatel,
mosto de seu sangue é um segredos das fabricas de maçarão instantâneo.
Partes genitais como testículos de gnomos e clitóris de princesas em pasta,
vão bem com croûton num couvert.
Esta disponível nos melhores mercados os novos vegetais
que estão sendo chamadas de frutas cartuns.
A variedade tem coração, amamenta, sangra, tem sentimentos, sente dor
é assim podemos abatê-las incentivando o consumo.
Praticas já vem em porções higienizadas e prontas
e são encontradas em vários sabores como picanha e T-bone.
De Solivan
segunda-feira, 5 de março de 2012
poemas para uma banda de heavy metal que nunca existiu
1. Crime e castigo
Eletrocutado por meus crimes
entro no inferno.
Cérbero rosna, late,
mostra as estalactites de sua boca.
Seu hálito é de cova coletiva.
O balseiro nos deixa em um ermo.
Vento quente como
sopro de dragão queima minha face.
O guia acorrenta a todos,
sou levado do com outros mortos
pelos círculos.
Porém minhas algemas
são diferentes.
Tem meus crimes cinzelados em ouro
e sangrentos rubis incrustados.
Parece com um bracelete.
Alguns cevados foram deixados
em celas solitárias e sentiam tanta gula,
que começaram a devorar os próprios braços.
Em um fosso com raivosos animais.
Leão e hiena num mesmo corpo,
lideravam uma estranha matilha
De cães mesclados com felinos.
Mostravam seus caninos quebrados,
porque quando faltava presas
atacavam os rochedos.
Eram tão furiosos porque detestavam
a metade de si mesmo.
Para estas bestas foram arremessados
os que desejavam serem santos,
mas foram devassos.
Uma mulher que teve vida cheia de luxúria
foi acorrentada,
e um estripador começou a copular em sua carne
com uma faca.
Foi obrigada a chupar uma serpente.
Ferrões de arraias penetravam em seus olhos.
Meu último acompanhante,
um maledicente, foi abandonado em árido deserto.
Abutres punham ovos em sua boca.
Fiquei apenas com meu guia,
temi pelo meu castigo,
era o que tinha feito os crimes mais horríveis.
Multidões de demônios vermelhos como sangue fresco
abriam-se como o mar para Moisés
em nossa passagem.
Fui levado até o trono de Satã,
ouvi sua voz enlameada
ordenando sua guarda imperial
a jogar fetos para a multidão esfomeada.
Beijo sua mão com cheiro do ânus
de um efebo que estava em seu colo.
O Imperador então me fala docemente.
- Nada temas meu protegido,
castigos são para pequenos pecadores,
matadores se tornam meus príncipes.
E como conhecia meus desejos,
pede para me trazerem uma lactente.
Como um vampiro sedento
mordo os seios intumescidos.
Sugo leite e sangue.
Peço vinho e sou atendido.
Poema de Solivan
Eletrocutado por meus crimes
entro no inferno.
Cérbero rosna, late,
mostra as estalactites de sua boca.
Seu hálito é de cova coletiva.
O balseiro nos deixa em um ermo.
Vento quente como
sopro de dragão queima minha face.
O guia acorrenta a todos,
sou levado do com outros mortos
pelos círculos.
Porém minhas algemas
são diferentes.
Tem meus crimes cinzelados em ouro
e sangrentos rubis incrustados.
Parece com um bracelete.
Alguns cevados foram deixados
em celas solitárias e sentiam tanta gula,
que começaram a devorar os próprios braços.
Em um fosso com raivosos animais.
Leão e hiena num mesmo corpo,
lideravam uma estranha matilha
De cães mesclados com felinos.
Mostravam seus caninos quebrados,
porque quando faltava presas
atacavam os rochedos.
Eram tão furiosos porque detestavam
a metade de si mesmo.
Para estas bestas foram arremessados
os que desejavam serem santos,
mas foram devassos.
Uma mulher que teve vida cheia de luxúria
foi acorrentada,
e um estripador começou a copular em sua carne
com uma faca.
Foi obrigada a chupar uma serpente.
Ferrões de arraias penetravam em seus olhos.
Meu último acompanhante,
um maledicente, foi abandonado em árido deserto.
Abutres punham ovos em sua boca.
Fiquei apenas com meu guia,
temi pelo meu castigo,
era o que tinha feito os crimes mais horríveis.
Multidões de demônios vermelhos como sangue fresco
abriam-se como o mar para Moisés
em nossa passagem.
Fui levado até o trono de Satã,
ouvi sua voz enlameada
ordenando sua guarda imperial
a jogar fetos para a multidão esfomeada.
Beijo sua mão com cheiro do ânus
de um efebo que estava em seu colo.
O Imperador então me fala docemente.
- Nada temas meu protegido,
castigos são para pequenos pecadores,
matadores se tornam meus príncipes.
E como conhecia meus desejos,
pede para me trazerem uma lactente.
Como um vampiro sedento
mordo os seios intumescidos.
Sugo leite e sangue.
Peço vinho e sou atendido.
Poema de Solivan
terça-feira, 28 de fevereiro de 2012
O Acidente automobilístico em cinco takes

1
Confere sua maquiagem no retrovisor,
tira um gota de sangue do rosto,
ajeita o cabelo negro, channel.
(Quer parecer bonita para o marido)
2
Olha seu marido morrer.
- Interessante.
3
Nota um corte no seu braço.
- Pouco fluxo menstrual.
4
Sai do carro,
a porta range como se estivesse com dor,mas abre.
5
Insight!
imagina-se num vestido sensual
feito com os estilhaços do para-brisa
colhe-os (da preferência pelos vermelhos)
Guarda na sua bolsa Versage
- Não preciso de muitos, será curto. Bem curto.
Ilustração e poema de Solivan
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Futebol

descem
os meninos morenos
pelas ruelas sinuosas
passam por bares
o cheiro de cerveja choca e urina
lembra o cheiro do pai.
Eles trazem
grandes e ingênuos sorrisos
asas brancas de alegria
a fazer o barulho de pombos a alçar vôo.
Vêm os meninos morenos
brincando de futebol
chutando as pedras
no meio do caminho
até a sangüínea flor
do semáforo
e a moeda, cabeça de prego
na palma da mão.
Ilustração e poema de Solivan
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Aleijadinho
A carne e a pedra
Era só o que fez, carne tive que procurar
pois não havia corpo só obra quando pensava
no Aleijadinho à Medusa inversa, ao olhar
para a pedra ela em homem se transformava.
A roxa meia mão esculpia de mão cheia
via profetas por dentro da ostra-pedra
sua idolatria não peca, pois, encandeia
e por alquimia o divino em nós engendra.
Quem o cerne vestiu de Cristo martirizado
na face prendeu toda a dor de quem foi cruz
diante do espelho sem braços e bêbado
fez com estátuas torsas metáforas-luz.
E corou o cerro pôs neste altar igreja
deu mão que não teve ao monte num alvo lume
lá a hóstia dada pela estátua alveja
o peito sudário e seu semblante imprime.
O retábulo move-se, a ornada ação
voa sacra e graciosa como sólida música
no céu com anjos crioulos a premonição
a nossa negra aparecida lúdica.
Onde caríatides sustentam o esplendor
com músculos fortes de Atlas, não de Sansão
fez o gesto eterno e santificou o escultor
a rocha do caminho seu mel, fel e pão.
No leitor tela do poeta quis pintar
com palavras, tinta da minha arte
barrocas visões e emoções a girar
como febris imagens dantes da morte.
De Solivan
Era só o que fez, carne tive que procurar
pois não havia corpo só obra quando pensava
no Aleijadinho à Medusa inversa, ao olhar
para a pedra ela em homem se transformava.
A roxa meia mão esculpia de mão cheia
via profetas por dentro da ostra-pedra
sua idolatria não peca, pois, encandeia
e por alquimia o divino em nós engendra.
Quem o cerne vestiu de Cristo martirizado
na face prendeu toda a dor de quem foi cruz
diante do espelho sem braços e bêbado
fez com estátuas torsas metáforas-luz.
E corou o cerro pôs neste altar igreja
deu mão que não teve ao monte num alvo lume
lá a hóstia dada pela estátua alveja
o peito sudário e seu semblante imprime.
O retábulo move-se, a ornada ação
voa sacra e graciosa como sólida música
no céu com anjos crioulos a premonição
a nossa negra aparecida lúdica.
Onde caríatides sustentam o esplendor
com músculos fortes de Atlas, não de Sansão
fez o gesto eterno e santificou o escultor
a rocha do caminho seu mel, fel e pão.
No leitor tela do poeta quis pintar
com palavras, tinta da minha arte
barrocas visões e emoções a girar
como febris imagens dantes da morte.
De Solivan
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
a fabrica de lápis de cor(Fragmento do conto infantil a historia do inicio)

Alguns meninos me chamam para jogar futebol. Vou pegar minha bolha de sabão, grande e colorida, e vamos ao campinho que fica no potreiro da vaca holandesa. Só paramos de jogar para correr atrás de um avião que passa. Depois do jogo, enquanto descansamos conto para eles como é Curitiba.
Uma cidade com muitos prédios e gente passeando com leões nas calçadas. As praças e marquises estão cheias de pavões, azuis, verdes e brancos. Os carros paravam para uma luz vermelha doce como suco de groselha, chamada semáforo. Que muitas pessoas vivas se vestem com ternos e gravatas, igual dos mortos nos caixões. Conto sobre o mar que cuspia conchinhas na areia como nos dentes de leite, e por último, que conheci o dono de uma fábrica de lápis de cor, quando estava na praia.
Ele tinha ido recolher, com um barco de pescadores, a cor do mar para fazer lápis verdes e me convidou para conhecer a fábrica e mostrou-me como ela funciona. Disse que o azul pegam no céu de avião e o preto na noite com o mesmo avião. O branco é tirado do leite. Na fábrica eles têm cem vacas, só para tirar esta cor. Um dia eu e o dono da fábrica fomos viajar, buscar de caminhão, um arco íris que tinha aparecido em outra cidade.
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
A mineração do eu no outro
D’ia
Trabaiei poco co pai dele, eu morava nas lonjuras
dos canhadão do Mato Queimado,nos cafundó,
uns arguere adiante donde o diabo perdeu as bota.
Ia di a pé pra cidade, galo inda cantava,
triste decha a roça,virava pra oia otra veis
a veia co chimarão no rancho luniado de lanpião,
e sumia na seração.
Tinha de cruza quizaza, potrero, pirambera, pinherá,
taguará de tudo lado pra chega na Queda.
Daí dormia no patrão, nos fundão, na dispensa junto co traiedo,
pertado, parecia patente, briava de varejeira,
eu dipindurava unas carça, japona, tudo ensacado
no prego das lingüiça e ia pro serviço.
A moradia era de pinhero prantado por graia azur,
dubado de bosta de anta,mijo de tigre.
Pinhero dos grande,unhava céu,
florado muita pinha te se serrado.
De a frente da casa era cidade, atráis mato,
te os passarinho erum deferente,
pardar dum lado ,nos poste de luiz
e canarinho dotro, mos matagar.
Pra diante
ia pras bodega,trabaia de bastece as tobata,os toreiro,
nus domingo vê firme,nas matine do Mazzaropi,do Texerinha.
Sábado pros baile ranca rabo, dança vanera, panha dos polaco
corre das tiraiada.
Nos fundo
arma rapuca, roba mio, melancia.
Sistia poco teve, era benzida pelo Padre Sismundo
problema que invergonhava, vermeava de i na sala
e do mais, na teve não tinha butiá, quero-quero nem lambari.
Tinha a tar da novela e firme de tiroteio,
de bichinho que falava.não gosto, mais o Soile gostava,
tarde intera, despois pintava osso do peito
de galinha e dizia que era nave espaciar azul.
Bão também Jogava bulica, futebor nas estrada, nos campinho,
voltiava de bicicreta, ia pega bergamota nos confins do Judá.
Quando tinha pechada de carro, velório,
baleado no samambaial, em bodega.
um pia espaiava pro’tro e ião de turmada na novidade.
Ate vaca morta cheia de urubo, iam vê.
Pia é bicho do jchãnho.
Despois se pelava de medo de baleado parece de noite
pegava a durmi só de luiz acessa.
Te parece, luiz não espanta sombração
tem que faze benzimento, joga água benta pra resorve.
Via lobisome,
e oia que lobizome daqui não é bicho brabo,
chupa ovo, pega galinha manca, distrambeia na primeira acoada.
Deve ser cruza de home com quaipeca manso.
Pra esses lado nunca vi fala de lobizome taca gente..
Boitatá intão, qui nos canhadão, nois doma,
usa pras lida,traze tropa de melore,da vortiada,
faze pinhão no fogaredo da crina,
pinhão mio só assado na grimpa.
Que sombrava memo era a Kombi branca que seqüestrava,
marava na soga, bem,dava nó,levava pra taquarazuzar,
tirava as morcia, os bofe da piazada e vendia pros estrangeiro,
despois atirava os guri no Iguaçu, na seva das traira.
De visage, repiava a muié de seração que rodiava o cemitério veio.
Otro, que de veiz em quando
parece na praça de buchada pra fora
diz que tira madera na sexta fera santa,
o pinhero caiu em riba dele, istribucho.
O Soile não queria sabe de i pra aula, burro que era uma anta,
rodava, istudiava só na suiterada,no laço.
O dele é cata fruitinha do mato, se metia nas capoira
trais de sete capote,maria-preta,coquinho,ponta de grimpa verde.
Tinha té carero pro vacum,tudo que male mar dava pra vê,
tudo piqueno,vacum intão é pingo d’sangue.
De boa jaracatiá,banana de mico,ariticum,só no mais longe.
Era mintiroso, gargantiava que tinha luitado cum jiboia
numa quizaza de preá.
Amostrava ranhado de taguaruçu e dizia que era dentada de onça.
As veiz se fazia de índio, cum pena de carijó,
se a negada do posto via, gozava,vinha de pedrada.
Mais gostava memo era de gibi,
ia pega na livraria do Seu João.
Seu João tinha prédio bão, de primera,feita de materiá,
teiado de ternite, teia é coisa veia, casa boa tem ternite.
Tamanho de duas, uma cima dotra,
baxo gibi,caderno,cima moradia,
de zulejo bunito ,enfeitado de flor.
De veiz eu garrava compra um caderno, mais nas vendaiada,
Pra faze palhero, de foia caderno é mais atuar,
inte parece cigarro da holiude.
Seu João ensinava cartilha n’aula
interigente, sabia das Bibria,dos jorna.
Morada na bera da igreja.
Igreja bonita,parecia com das Europias,das de foinha,
co vermeio das chaga de Jesuis.
Mais do longe, nem parecia se de anjico.
Padre Sismundo, ia pras linha de matungo veio, cabado.
Quele tempo, de trais,nem tinha estrada,
ia pelo carrero feito no fação pros interio,
no caminho da onça, facir pisa em urutu,cascaver,
tinha de travesa matagar brabo, chegava ardido de urtiga,
espinhado de cipó unha de gato, inchado de abeia.
Hoje já tem condução tudo facir.
Rezava missa bunita ,enveredava pros conseio,
dava sermão pras muié que ia de saia curta pra igreja.
Tinha ocurus de grussura,tanto lé, acho,cansa as vista.
Assunta como se comprava ocurus d’grau.
Ia na venda mió,maió, nas do Franzoni,
lá tinha balaio de taguara cum monte de ocurus,
escoia,ficava pondo e tirando dos óio té um acenta,
té vê bem as coisa,se não nuviava mais as vista
comprava,o Falecido pai comprava ansim.
Então,vortando, o Soile garrava no gibi
um veiz em quanto,eu zoiava um tar de Tequis,
de outro, co de pitanga ,sombração,
alembrei Fantasma, prestado do Irson.
Mais i os dele era outro,via os não seioquelá dos homeranha
e saia luita com samambaia, mandioca, mata-campo,
entrava pra pega pão moiado com açúcar
e gasosa Serramalte e vortava pras guerra.
Eu tenho radinho, de prastico marelo bunito.
Escuito futebor, jogo do inter ,violero, pograma de pulicia.
Quando fui pra Sarto do Lontra
toquei de compra na rodoviária um vrinho de fareste.
Sabe que inte foi bão vé o vrinho,
quando vortei deitei no pelego
e oiei debaixo da cabriúva de carnea vaca.
Mas não comprei mais,demais de caro,
tinha que guarda pras pia.
Tinha uns de muei pelada,de teta tudo de fora,
Escundi no paió, os rato roeram as mio parte.
Desgraça de rataiedo.
A mãe campeava se catasse ia pro fogo, virava lenha.
O Soile
parecia que nunca tava onde tava,
na rede dizia que tava num caico
e balangava inte no teto,
o teto tinha mais de pezada
que a entrada da moradia.
Subia no teiado,qui era a lua e despois.
se destrambeiava de guarda chuva lá do arto.
Oia,não sei como não se quebrava,
piá tem bicho carpintero no coro.
A casa? era bunita, a dele, grande.
Qui em Queda, eitá lugar de moradia tudo iquar,
parece um c’otro,num tem sobrado cum sotam,nem porão.
Tudo quanto é teiado abre asa pra direita, faze área.
O gente pra gosta de uma área.
“Entra” é só modo de dize, se traiz as cadera
e as visita fica no fresco.
Área é o abraço da casa,
lugar de recebe os cunpadre, toma chimarão.
Tem servendia de garage também,
se chega a parentaida e só vastra o fusca.
A moradia dos bonado são parecida, muda só tamanho
ou feita de materiá, teiado de ternite,
mais o jeito é mema coisa.
Otra deferença me toca dize
é onde se pranta as pranta,
samambaia, espada de São Jorge tudo mundo tem,
só que nos de dinheiro é no vasos,
as outra, dos minquera, é no galão de tinta Rene.
A do Soile era de samambaia no vaso
é rico é bicho fraco memo,
o piazedo não gostava, decha de lado.
No futebor parece chuta purungo,
na bolica, não certa na caseada, no bulico,
num sabe sorta pandorga fica distranbeiada,num avoa.
Ai pegava de fica tempo enchaviado,
cós sordadinho de paper tizorado, guerriando.
Escuitava da porta tando tiro de metralhaiadora ca boca
era ingraçado escuita, num dexava entra de jeito manera.
O Soile era lazerento de ruim no bodoque.
Veis co primo dele chego, fizero um de borracha cansada
e forquia de basorinha, oia não prestava pra nada.
E saíram campiá passarinho, não certaro um,
Daí, aresorverum de pega da gaiola o papagaio peito roxo da famia
cortaro as pena da asa e sortaro,
e dele pedrada no coitado te mata
truchero o bicho depenado
pra mostra que consequi caça
despois que a Dona Tere descubriu que era o Papagaio Peitoroxo
dela as piazada panharum, mais panharum de fica vergão.
Eu quando era novo,lá nos canhadão
carpia as roçada debaxo de sor,
o de friu de racha os beiço,a zorelha.
Gostava de vê carro passa,corre di atrais,te não pude,
despois ficava vendo os rastro dos peneu.
Te cubria as marca cum foia de parmera
pra dura mais,protege dos temporá.
Ficava chola de mostra pros outro
que passava artomover na nossa roça.
Catava pedra caprixada pro bodoque
e ia mira no peito dos sabiá na amorera,
na pinha das juriti nos gaio da canafrista seca.
Perdoava nem curuira, bicho nanico,tem de se bão
certa curuira e qui nem certa no zoio do boi.
I pro rio pula de cipó na’qua, merguiá
e pesca,faze sem-vergonhice.
Sabe lambari? pexe prata e azur,
piqueno ma bastante no Iguaçu tem de monte,
pega facir,de kilo, se joga quirela.
Ma io o bão é faze lambari arecém pescado,
numa fritada,mais radite e polenta,e de lambe os beiço.
O probrema do lambari é as brigaida de casar.
Causa de Lambari oiei os tempo muda.
Pra’onte inda, home pescava e muié limpava,
hoje’dia, mudo, home não manda mais,
causa das novela da Grobo,sabe?
Muierada ficam bizoiando as tar de novelas,
daí prende das modernidades, que trabaia fora.
A minha qué por qué ser zeladora da iscola Castro Arves.
Hoje’dia o home tem que pesca e garra de tira buchada
ainda frita, se muié toca de limpar, oia da desquite.
E torresmo, eitá torresmo, de porco sorto,
criado na lavage, de encraxa os bigode.
Torresmo se escoie, garimpa o mais meio.
Têm muito só graxa e coro duro
de quebra dente do fundo, poco de carne,
negocio é cata que rareia.
Bão é co a companheirada de bodega, cum pinga,
na torresmada tudo iguar , não tem rico,
cada que se ajeite pra acha pedaço que preste.
Passa pra todu o mundo,
gara um, ponha no sar co vinagre e pra dentro.
Torresmo da problema de congistã,
mas não é como outra, que quando torce as tripa,
se pega nojo, torresmo despois de meiorá,
já da vontade de novo, torresmo é assim.
Na bodega vorta e meia parece arquem com torresmo,
Pra deixa os amigo contente.
Vo pra bodegade veiz em quando, joga um pontinho,truco
se esconde de tormenta.
Que dia de chuva não da pra carpi,
e dia de sol é de mais de quente.
Vo pedi um galeto,ovo na salmora, paster
pra come cum gasosa.
Só não me vai pinga com mistura,
mania, estraga pinga cum gaio,cum quizaza,
ponha mestruis, preteia com jaboticaba,
marga com milome, doça com butiá.
Me petece cachaça da pura,de lambique
dose da boa,desse ranhando,de enguli gato de ré.
Só tomo uma cum aio só guando me taca gripe,
o cum losna pro estomego.
Oia bodega não e só pra home,home fica,
bebe, joga sinuca,baraio,faiz gritacera de truco
fica queito no treis sete,na moita.
Mais guri vai compra doce e sai.
O Soile se cabava no doce, não jogava chicle fora,
colava o baita de debaxo da mesa,na geladera
notro’dia pegava de vorta, pra masca de novo.
Bodega se iscuita caso.
Meu cumpradre conto que pesco onça.
O home tinha pego baita pexe,
não é que a pintada se taco na carpa-capim
e o anzor fico prendido na boca dela, bandonei.
Mataram o coitado do meu cumpatre.
Se meteu numa tramóia,
fizero espera na piramberra, perto do córrego.
O capanga sabia o carrero da paca,atiro.
Triste vê, cheio de bala, uma bem no zoio.
Era bão, alembro bastante dele.
Dia ele ia bebe uma pinquinha,dozinha,
falei pra mangá
-Não joga poco pro santo?
num talagazo entorto tudo e prozeo
- Vô não, joga você que é infier,
meu Santo mora qui dentro do meu peito.
Eee sardade, vorti e meia penso nele,
de quanto nois ia pesca,caça, nos bailedo,
cum ele não tinha tristeza.
Se carniava porco,me dava um pedaço,do meió,
mais umas vorta de lingüiça, se coiá borora trazia,
Mandioca intão, de braçada, e quejo, mio verde,
inte galinha limpa,cos miúdo tudo rumadinho no vazio.
Foi coitado, dá nó no peito paifioespiuritosantoamem.
Vá cum Deus cumpadre.
Eu não costumei na cidade, vortei pros canhadão.
Gente vai pra cidade, só pra trupica,
chupa picolé,perde lotação.
Se crio no mato, no mato tem de mora,
cuida da criação, joga mio da galinhada, gosto, vem tudo em vorta.
Cria porco sorto, desenferruja
a quarentinha nos cambuta, nas paca.
Pega quabirova e ovaia no potrero,
sopra as bosta da vaca é manda pro bucho,
Sai e vorta cós borso cheio de butiá,vida boa.
Inte mais.
Poema e fotografia de Solivan
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Conversa sobre o Senhor Prutok
Não, senhor Prutok
infelizmente, seu plano de saúde
não lhe dará eternidade.
Pensei cinicamente,
enquanto ouvia
durante nossa partida de xadrez
o senhor Prutok
falar longamente sobre seu plano de saúde,
e das sete maravilhas tecnológicas
feitas para prolongar o sofrimento.
Eu estava voltado para o portão, com meus sapatos
imantados pela rua.
E achei novas ranhuras no visor do relógio.
Gosta de mim o velho, traz pistaches, narguile.
Deus, como é tedioso ser amado por insossos.
Como me irritei,
mas fixei uma agradável máscara da comédia,
quando me perguntou.
- Gostou do vinho?
- Sim, sim algo frutado, de um rubro intenso.
Calei, mas minha alma continuou.
É também marcante a presença
de acidulantes e conservantes
e tem um bem definido odor de aromatizante para
[automóveis.
Só Liszt dava-me certo alívio
engraçado esses pianistas
cumprimentam a platéia, sentam-se
e tiram sons maravilhosos
dedilhando presas de elefante.
Tem um analgésico?
Minha têmpora lateja como um coração.
Poema e fotografia de Solivan
quarta-feira, 18 de janeiro de 2012
O cubo (Fragmento)

Desejava ainda ser o herói que todos esperavam, mas não conseguia, a absurda falta de acontecimentos me impedia, meu orgulho estava oxidado corroído, e sem o suporte do orgulho a espinha não consegue deixar o corpo ereto. Passei a ser cínico e amargo, escarnecia a humanidade, aliás, nem somos humanos ainda, somos híbridos de instintos siamescos apenas atenuados, semi-selvagens, uma raça na puberdade, cheia de ereções, que precisa conquistar, derrotar, de júbilo não de paz, encha de paz e segurança a humanidade e os índices de suicídios aumentam. Como híbridos não temos a verdadeira liberdade do selvagem, que está na luta franca dos animais pelo poder, uma luta que longe de ser apenas a lei do mais forte, e também da velocidade, agilidade, fugas, de camuflagem e venenos, uma luta sofisticada como conspirações palacianas, uma liberdade bem mais elaborada e real, que não é tolhida por leis, dúbias, cheias de interpretações, um engodo que aprisiona lobos para que os leões possam engordar seus cordeiros. Se o natural é perfeito e busca seu equilíbrio, o que é tocado pelo monstro híbrido chamado homo sapiens, torna-se grosseiro, a árvore é perfeita, mas sua lenha tem algo de tosco, porque tocada por semi-selvagens, deixamos tudo que tocamos rude, inacabado, nada é conclusivo, sejam, leis, sistema político, filosofia, tecnologia, em tudo temos que evoluir, e se temos que evoluir, substituir, é porque não chegamos ao perfeito, talvez quando alcançar a condição de homens voltaremos ao perfeito, mas enquanto híbrido, não confio neste símiomem, em sua evolução convulsa, que cria sistemas achando culpados superficiais, sem levar em conta seu verdadeiro inimigo, os instintos, a vontade que temos de nos sobressair, a sede de poder, quando o socialismo acabou com o poder econômico, este foi rapidamente preenchido pelo ainda mais truculento poder político, os instintos infelizmente sempre acham seu lugar.
Conto e ilustração de Solivan
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
Talvez a jabuticabeira seja feliz
Banho de Sol
Numa manhã fria
tomando sol
num pedaço de quintal
entre uma jabuticabeira
e um resto de horta abandonada,
velhas roseiras
e entulhos.
Fechei meus olhos
fiquei ali,
o ardente amarelo
transpassando
minhas pálpebras fechadas,
inerte,
só sentindo
o calor agradável,
sem pensar em nada,
sem ser nada.
Não existir
foi delicioso.
Quando abri meus olhos,
pensei:
Talvez
a jabuticabeira
seja feliz.
Foto e poema de Solivan
segunda-feira, 26 de dezembro de 2011
Crucificaram Jesus no Cristo Redentor
segunda-feira, 19 de dezembro de 2011
Mimetização
Chore apenas sob a chuva
ou dessalinize sua lagrima
e a esconda em sua piscina.
( Se a esconder no mar é desnecessária a dessanilização)
Só abra os olhos no escuro
ou pelo menos apague a luz para ler.
Goze para um banco de esperma
e leve a lanterna e o isqueiro
quando viajar ao centro do sol.
Escute Bach quando o aparelho de som estiver estragado.
Fale somente após colocar a mordaça
e diga sempre:“ Não pertenço a um cardume”
já que todos do cardume tem este mesmo lema.
Mas não se esqueça de desconsiderar
o surdo que fez a nona sinfonia.
Poema e fotografia de Solivan
segunda-feira, 12 de dezembro de 2011
Apontamentos sobre minha dislexia e daltonismo.
O daltonismo
amputou algumas cores
do meu olho.
Por isto
esta dor perante o arco íris.
A dislexia faz minha mão gaguejar erros quando escrevo.
A dor é colorida,
havia dor no quarto amarelo e nos ciprestes retorcidos de angustia.
Dor quando cinza é uma dor daltônica.
Livros me foram incompreensíveis e fascinastes,
os lia com imaginação mística que quem lê búzios.
Quando não consigo saber uma cor, cheiro,
sei o odor do vermelho e qual é o perfume do verde.
Não sei quando o flamboyant sangra flores,
nem onde esfaquear uma palavra com acento agudo.
Poema e ilustração de solivan
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Diretrizes para um poema ao modo de Sylvia Beirute

não tema a emoção no poema,
pese,conte, analise sua dose, e a multiplique se precisar
e lembre-se, multiplicar é um calculo.
aliás, não tema o calculo, mas com cuidado
os números podem ser excessivamente sentimentais e esotéricos.
e também não tema o humor no poema,
a ignorância, a morte, a violência, as traições
são tão engraçadas, vide as comedias e as piadas.
não tema a beleza, a procure a direita do alvo ou a esquerda
nunca no centro,porque o mais provável, com mais chance de
acerto é o errado.
mas se esta acertando muito ou mirar a direita ou a esquerda
então mire no centro,lembre-se, a maior chance
de acerto é o errado.
ainda sobre o beleza, é fácil encontrá-la no feio.
e outra não tema a influência, sem a influencia
o poema nunca terá originalidade.
e um das causas do antagonismo é uma paixão mutua.
não tema o antiquado,a procura do novo é antiquada,
nem tema o futuro, ache-o com escavações arqueológicas.
e por ultimo não tema o escândalo,exponha o poema ao
escândalo, o escândalo é o inicio da aceitação.
e saiba da transmutação dos antônimos em sinônimos,
e fazer da exceção a regra.
Poema e ilustração de
Solivan
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
trecho da peça "Presos na liberdade".
GRÃO
- E bom descansar, vou ficar aqui até aparecerem escaras.
CRUZ
-Céu, oceano, sem decoração,
não suporto, eu sou exuberante.
GRÃO
-Reencontramos as cadeiras, elas me dão paz
são as mesmas de ontem.
CRUZ
- Será?
ontem não tinha uma flor.
GRÃO
-São as mesmas,
as mesmas que encontramos todos os dias,
as mesmas desconfortáveis, velhas e com as marcas de sempre
que nos esperam todos os dias como dois cães doentes mas amigáveis.
CRUZ
-Você olhou para as marcas da cadeira?
GRÃO
-Quando começaram a se repetir, repetir, repetir
prestei atenção, as marcas, há nomes nelas,
palavrões e corações com iniciais.
CRUZ
- Outros perdidos já mortos e suas marcas ruprestes.
as cadeiras parecem duas putas velhas tatuadas
abandonadas num presídio.
Uma delas enfeitada com uma flor.
GRÃO
-Será que o casal, quem?tem curiosidade?(incompressível como quem quer
falar três frases em uma)
CRUZ
-Que?Que casal?
GRÃO
-O coração com inicias, será que ainda são um casal?(mais articulado)
CRUZ
- Duvido, isto e muito rude, estéril, amor precisa
de pelo menos uma pluma,
um traço de perfume,um pedacinho de cetim.
GRÃO
-Certos pássaros fazem ninhos com pedras.
CRUZ
-Esta vendo alguma pedra?
GRÃO
(Mudando de assunto)
- Gosto de retornar,
voltar ao início,
sair da rota migratória nos levará ao nada.
CRUZ
-Ou ao antônimo.
GRÃO
- Aqui é mais confortável,
pelo menos chegamos.E há a flor.
CRUZ
- Chegamos a duas cadeiras velhas,
com um coração rasurado, palavrões
e uma flor. Notou como corações amorosos
e xingamentos estão novamente juntos,
(Desdenhando)
- E bom descansar, vou ficar aqui até aparecerem escaras.
CRUZ
-Céu, oceano, sem decoração,
não suporto, eu sou exuberante.
GRÃO
-Reencontramos as cadeiras, elas me dão paz
são as mesmas de ontem.
CRUZ
- Será?
ontem não tinha uma flor.
GRÃO
-São as mesmas,
as mesmas que encontramos todos os dias,
as mesmas desconfortáveis, velhas e com as marcas de sempre
que nos esperam todos os dias como dois cães doentes mas amigáveis.
CRUZ
-Você olhou para as marcas da cadeira?
GRÃO
-Quando começaram a se repetir, repetir, repetir
prestei atenção, as marcas, há nomes nelas,
palavrões e corações com iniciais.
CRUZ
- Outros perdidos já mortos e suas marcas ruprestes.
as cadeiras parecem duas putas velhas tatuadas
abandonadas num presídio.
Uma delas enfeitada com uma flor.
GRÃO
-Será que o casal, quem?tem curiosidade?(incompressível como quem quer
falar três frases em uma)
CRUZ
-Que?Que casal?
GRÃO
-O coração com inicias, será que ainda são um casal?(mais articulado)
CRUZ
- Duvido, isto e muito rude, estéril, amor precisa
de pelo menos uma pluma,
um traço de perfume,um pedacinho de cetim.
GRÃO
-Certos pássaros fazem ninhos com pedras.
CRUZ
-Esta vendo alguma pedra?
GRÃO
(Mudando de assunto)
- Gosto de retornar,
voltar ao início,
sair da rota migratória nos levará ao nada.
CRUZ
-Ou ao antônimo.
GRÃO
- Aqui é mais confortável,
pelo menos chegamos.E há a flor.
CRUZ
- Chegamos a duas cadeiras velhas,
com um coração rasurado, palavrões
e uma flor. Notou como corações amorosos
e xingamentos estão novamente juntos,
(Desdenhando)
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
Decantação ou águas coloridas


Antes de serem bebidas
pelas cidades
as águas deveriam
refletir o verde amargo das arvores
iria fazer bem para os estômagos
e serem coloridas
pelo amanhecer
e o entardecer.
. Então esta água
terá muitas cores, mesmo sendo incolor.
Com o homem que viu quadros abstratos
tem cores dentro dele.
fotos do Rio iguaçu e Poemas de Solivan
segunda-feira, 14 de novembro de 2011
Poema feito com sobras de outros poemas.

Não gosto de decorar poemas,
prefiro falar poemas com um livro na mão
o livro é meu instrumento musical.
É uma insensatez
seu bom senso.
Vinho
feito com uvas do Edém.
Assepsia me causa
intoxicação alimentar
Retorna a Ithaca NY
Enfrentado uma jornada
de ventos e perigos
a frágil
a borboleta monarca.
São Paulo quase não tem estrelas.
Eu e as estrelas preferimos
as cidades pequenas.
Que seja lei,
as estatuas
de Manuel de Barros
devem ser sempre de argila.
Mesmo no inverno
o mar tem cheiro de verão.
Sou o mesmo incoerente de sempre.
Cortem todas as arvores,
mas por favor deixem as sombras.
A morosidade
é inimiga da perfeição.
Havia uma pedra
no caminho de Davi.
Havia uma pedra,
felizmente havia uma pedra.
O sol faz
malabarismos com os planetas.
Extrai mel do sal.
Sobre a indignação,
notei que
soco na mesa
é sempre na silaba tônica.
Um tiro
e o poeta
sangrou uma bandeira soviética.
Anjo marinho
com as barbatanas amputadas.
Fico aqui
lapidando vidro.
Tudo é melhor quando feito com carinho
ate mesmo sadomasoquismo.
A chuva
cai como crinas,
nuvens galopando.
Todo o grande romancista é poeta.
Todo e grande dramaturgo é poeta.
Todo o grande poeta é poeta.
Pintar uma marinha me lembrou
quando acariciei seus cabelos.
É bom o pesado livro de Bolanõs,
e me deixou com o ante-braço mais forte.
Ó Virgem Maria
cresce no teu ventre
a perola
que falará de paz.
Amor quebrado em mil pedaços,
porem ela sabe montar quebra-cabeças.
O profeta
recorda o futuro.
Vida é um cavalo dócil
que enlouquece
ao sentir o cheiro da velhice
sobre suas ancas.
Faço meu chá com águas do abismo.
Platéia de carrancas
do São Francisco para sua comedia.
Sal que adoça meu dia.
Gargalhar tem um som
parecido com o de soltar pombos.
Beethoven,
A sinfonia é tua alma
que se desprendeu do corpo.
Vou esculpir uma Vênus renascentista
usando como pedra o urinol de Duchanp.
Hexágono amoroso
Mesmo
Que me cortem a asa direita,
Reaprendo
e alço um vôo torto,
só com a asa esquerda.
O mais importante em um poema são as perguntas,
mesmo que o poema não tenha perguntas.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
revista Babel 2
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Oferendas dos homens para os deuses
Ó Iemanjá, a rainha do mar
Beba os esgotos que te ofertamos
Ó anjos, Ó querubins, Ó belo e corajoso Arcanjo,
Receba em suas nuvens alvas
As emanações dos escapamentos
E dos chaminés de fabrica
Ó Hades, Ò Netuno
Aceita estes rejeitos atômicos postos em teu altar.
Ò Gaia,
Em tua formosa boca colocamos os aterros sanitários,
Ó Apolo,
Do belo loureiro que tocou
Cortaremos os galhos
E os braços de Dafne,os seios,
Serão incinerados em uma termoelétrica.
Poema e ilustração de Solivan
segunda-feira, 31 de outubro de 2011
Lembra Neuzza Pinheiro
Este poema para Neuzza Pinheiro que esta com seu seu livro novo"Pele e osso"

Lembra Neuzza, eu lembro como se fosse hoje
quando disse :
Olha Neuzza um Pinheiro carmim.
Olha Neuzza ,olha, no Pinheiro estão nascendo maças.
Olha Neuzza um Pinheiro com cheiro de mar e rosas.
Olha um Pinheiro florescendo como um ipê.
E foi assim a tarde inteira,
como que te alimentado
do que tinha de belo onde eu moro.
Neuzza, Neuzza,
como gosto de te mostrar coisas bonitas,
Sabe
teu nome tem um gosto de Paraná.
Lembra Neuzza, quando vimos
as cataratas brancas como os cabelos de minha avo
da ponte, dos rios e dos perfumes.
E então anoiteceu e você cantou,
respirávamos na mesma sala
mas quando exalava
o que saia do seu peito era canção.
Foi bom ouvir
seu peito moldar o ar
e fazer dele musica.
É bonito
quando algo simples transmuta-se em belo.
Ha Neuzza, lembro tanto de tua voz,
tenho certeza Neuzza,
que na noite que você foi gerada
teu pai bebeu vinho
e tua mãe comeu pêssegos aveludados e pombos no jantar,
por que é destas substancias
vinho,veludo e pomba
que é feita sua garganta canora.
foto e poema de Solivan
Lembra Neuzza, eu lembro como se fosse hoje
quando disse :
Olha Neuzza um Pinheiro carmim.
Olha Neuzza ,olha, no Pinheiro estão nascendo maças.
Olha Neuzza um Pinheiro com cheiro de mar e rosas.
Olha um Pinheiro florescendo como um ipê.
E foi assim a tarde inteira,
como que te alimentado
do que tinha de belo onde eu moro.
Neuzza, Neuzza,
como gosto de te mostrar coisas bonitas,
Sabe
teu nome tem um gosto de Paraná.
Lembra Neuzza, quando vimos
as cataratas brancas como os cabelos de minha avo
da ponte, dos rios e dos perfumes.
E então anoiteceu e você cantou,
respirávamos na mesma sala
mas quando exalava
o que saia do seu peito era canção.
Foi bom ouvir
seu peito moldar o ar
e fazer dele musica.
É bonito
quando algo simples transmuta-se em belo.
Ha Neuzza, lembro tanto de tua voz,
tenho certeza Neuzza,
que na noite que você foi gerada
teu pai bebeu vinho
e tua mãe comeu pêssegos aveludados e pombos no jantar,
por que é destas substancias
vinho,veludo e pomba
que é feita sua garganta canora.
foto e poema de Solivan
segunda-feira, 24 de outubro de 2011
Estranha cidade
Este é poema sem esperança,acho que poucos irão gostar da uma estranha mistura de rock
e regionalismo,acho que só um quedense pode entender, mesmo assim gosto dele e vai para meu livro,e um poema em homenagem a uma banda de heavy metal que nunca existiu ou só existiu em mim chamada falange é uma das dez cancões para uma banda que nunca existiu
Solivan
e regionalismo,acho que só um quedense pode entender, mesmo assim gosto dele e vai para meu livro,e um poema em homenagem a uma banda de heavy metal que nunca existiu ou só existiu em mim chamada falange é uma das dez cancões para uma banda que nunca existiu
Solivan
Estranha cidade 1987
Mãe, não vou a barbearia Dalila escalpelar meus
cabelos, nem suturar meu jeans ou fazer uma
reconstituição facial do crânio em minha camiseta,
chuto a mesa de centro, gane com o fêmur quebrado
bato a porta num estampido de tiro,as juritis voam
Crem no local do crime, o canibal é paranaense
Na rua os braços decepados dos ligustros
Céu ferido,o entardecer esta ensangüentado
E agoniza como um corvo apedrejado
Há em mim o grito silencioso, desesperado
Sonar de um animal em extinção no cio
Vodu em uma Barbie com espinho de taquaruçu
A vizinha reza na janela como em uma vitrine
Com seu terço feito de calmantes coloridos
É uma destas senhoras viciada em pílulas
Que pedem para seu marido parar de beber
Já me cuspiu Aves- Maria com hálito de tráira.
O vanerão dos afogados com a noiva do mirante
Passo por bares feitos com araucárias mortas
Salões de beleza e lojas rosnam quando passo.
No restaurante há pessoas desconhecidas bem
Vestidas, em carros estranhos, morreu alguém
Esta cidade só recebe visitantes em funerais
No Paraíso um novo anjo com asas de gralha azul
Cova recente no antigo cemitério dos polacos
Entre rosmeias carpideiras e túmulos cariados
Acendo meu baseado num fogo-fátuo e vou,
Com o spray cheio de sangue de um kaigangue
Atropelado fazer o ultimo grafite no colégio
Fabrica de bestas e mordaças sabor de piroqui
Foto e poemas de solivan
terça-feira, 11 de outubro de 2011
Dissecação da felicidade
Há felicidade
no crime com o processo envelhecido
como manuscritos do mar morto.
No soco daviniano num estacionamento.
Nos paleolíticas êxtases religiosas pentecostais
porque Deus nasceu numa gruta decorada
com euroques e cavalos.
Há felicidade
quando um sacerdote asteca reencarnado transplanta corações.
Na heresia
ao desrespeitar os dogmas da evolução num gozo
não reprodutivo em um banheiro público grafitado.
No regozijo ocidental
quando maças do Édem envenenadas com átomos
caíram sobre o Japão.
Há felicidade
na satisfação reconfortante
de beber rum pela manha
como Cronos engolindo seus filhos.
No comer um hambúrguer
quando a vaca hindu
e o trigo milenar passam sua vitalidade a um Office-boy.
Na agencia de automóveis
quando um visigodo web design
excitado pelo cheiro de cio dos carros novos
fatia o valor em sessenta pedaços salgados.
Há felicidade
em correr no parque com um Nike novo,
após roubar um cetro.
No trazer
do supermercado carne e cerveja para um churrasco
como canibais trazendo membros e cauim.
Na sonegadora fabrica de iogurtes
que se expandem como macedônios.
Há felicidade
no passear por babilônicos shoppings.
Nos ambientalistas hospedados no Hilton Hotel
como lideres comunista em seus palácios
que qualquer poder é aristocratizante.
No descobrir um novo agrotóxico para figos
cujos componentes químicos são à base de Lívia e Drusilla.
Há felicidade
no assistir corridas de formula um
e torcer pelas bigas vermelhas.
Em beber alquímicos coquetéis em bares.
No poder inquisitorial das editoras
de queimar livro com recusas
ao aprisioná-los em gavetas escuras como masmorras,
seguindo cegamente o Sumo Pontífice Mercado.
Há felicidade
no abortar
com segurança na luxuosa clinica de obstreticia Medeia.
No pedir demissão de um escritório contábil
e ir morar num quilombo.
No usar sapatos de couro italiano
elegante como nobres Maias em pele de jaguar.
Há felicidade
em achar salsichas de hot-dog feito dentro das leis islâmicas.
que Maomé como Cezar se manteve no poder após a morte,
já Stálin foi deposto messes depois de morrer.
No comprar um diamante na Tifany
sem lembrar dos negros cadavéricos como judeus no holocausto.
No vender ovelhas para o frigorífico,
por que matamos os lobos pelo mesmo motivo
que leões matam hienas.
Há felicidade
em comprar um filme pirata do Spider-mam,
tão fácil como comprar imitações
da estatua de Atena na Ágora.
No executivo da júpiter S.A.
com uma prostituta de luxo
vestindo couro de preto de vaca
como Europa.
Na estrela pop deificada como Nero
que cheira coca nos intervalos dos shows.
Mas cuidado, que o inferno
é seus desejos elevados ao máximo.
Poema e fotografia de Solivan
segunda-feira, 3 de outubro de 2011
O interior do tempo

Conheci
o interior do tempo
a fabrica do tempo
e olhei as Tecelagem de rugas,
milhões de teares,
e sua boca, a terrível cratera dos esquecimentos
e sua fome abominável, interminável
onde caem as vidas, estatuas, os livros
as cidades,
onde caem quase tudo, quase tudo.
Só umas poucas coisas paradoxais são recusadas
como as guerras e o belo,
o belo, o realmente belo
é indigesto para a boca do tempo.
Vendo tanta destruição
minha alma cansada, prostrou-se
e murmurou-Estou diante do divino.
Mas ouvi Maldoror blasfemar
E gritar, um grito terrível
que saia de sua boca como sangue,
o ar do grito vinha de uma ulcera do seu estomago
não dos pulmões.
-Tempo, você é um Deus fraco!
só pode ir,
Porque não volta, retorne
se é tão poderoso?
refaça esta maçã mordida?
Isto não seria simples para um deus?
ou torne velho o menino desta imagem.
E o Tempo tentou e se contorceu
e vomitou ossos e pelos
devido ao extremo esforço
como uma coruja regurgita o rato.
Mas só conseguiu
apodrecer a maça,
envelhecer e rasgar
a imagem.
mas o menino retratado permaneceu belo.
As verdades ulceraram os ouvidos do Tempo
e Maldoror foi crucificado em suas próprias asas
E para se alimentar tinha que comer
suas próprias vísceras.
Poema e ilustração de Solivan
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